quarta-feira, 18 de maio de 2016

Decepção nossa de cada dia



Ela vem em algum momento da vida.
Trabalhando sempre na espreitar, pronta e altiva para nos atacar
Sempre quando estamos olhando para frente.
Ela chega!
Então você imagina que chegaria pelas costas, mirando a sua nuca, olhando a mesma imagem que você enxerga, acompanhando o ar que solta em seus pulmões.
Mas não foi assim. A direção é outra.
Ela vem de lado.
Ás vezes o lado esquerdo ou direito.
Ela chega aos seus ouvidos, levando a sua voz cheia de insinuações diretamente para o seu cérebro que manda direto para o seu coração, que gritar para os pulmões que bombeiam nervosamente, ligando tudo e todos de uma vez só.
A decepção faz o seu trabalho. Dá a volta pelas suas costas e sai caminhando lentamente, como se nada daquilo tivesse acontecido.
Então, você acha que ela foi atrás de outra vítima?
Não.
Por que se você não tomar cuidado, ela pode voltar...a qualquer momento. 




segunda-feira, 16 de maio de 2016

O canto das lavadeiras



(Cantiga do nordeste) 

Uma lavadeira um beija- flor 

Lavando os paninhos de nosso senhor

Quanto mais lavava o sangue escorria

Sua mãe chorava e o judeu sorria.
Duas lavadeiras duas beija flor

Lavando os paninhos de nosso senhor

Quanto mais lavava o sangue escorria

Sua mãe chorava e o judeu sorria.
Três lavadeiras três beija- flor

Lavando os paninhos de nosso senhor

Quanto mais lavava o sangue escorria

Sua mãe chorava e o judeu sorria.
Quatros lavadeiras quatro beija-flor

Lavando os paninhos de nosso senhor

Quanto mais lavava o sangue escorria

Sua mãe chorava e o judeu sorria.
Cinco lavadeiras e cinco beija –flor

Lavando os paninhos de nosso senhor

Quanto mais lavava o sangue escorria

Sua mãe chorava e o judeu sorria.


(imagens tiradas do Google) 

segunda-feira, 7 de março de 2016

A prova


Era mais um dia de prova. Quantas provas ela teria que fazer além daquela prova de matemática em uma manhã fria de setembro.

Será que toda prova que faria ao longo da vida, seria como aquela, que por sua vez quando o final for apresentado um vai olhar para o outro e vai saber quem se deu melhor e outro nem tanto. Esse era o sentindo da vida?
A moça que tanto começou a filosofar em cima daquela prova, olhando para aqueles números e regras e mais regras... Que tantas regras carregam a vida!
E num ímpeto incomum agiu no instante que um raio de ideias surgiu naquela hora.
“ Na vida terei tantas provas para passar, porque me prender em uma tão cheias de regras nas quais não entendo nada, todos passaram e todos repetiram...Não sei o que vai acontecer...só sei que essa prova hoje não me esforçarei ”



Três Leis de Kepler

E ela entregou a prova depois de colocar  os X dentro dos parentes () entregou a prova mas, uma coisa ela esqueceu, não colocou o nome.
A prova veio e voltou em branco, levando apenas os chutes de acertos com probabilidades para os erros.

E o resto? A vida se encarrega...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Quote e Resenhas sobre o livro Um Amor de Aluguel (Editora Percurso)

Olá!

Aqui apresento alguns Quotes do livro Um Amor de Aluguel e algumas resenhas.

Vilma é uma mulher comum e cheia de vida, que ainda quer continuar o seu casamento mesmo ciente que esse já tinha terminado á muito tempo.

Do outro, tem Miguel um jovem sobrevivente que aprendeu como viver no mundo cão...oras era Eduardo...oras Diego para algumas das suas clientes.

Como tudo isso iria terminar ?


























Skoob : http://www.skoob.com.br/livro/538121ED547327 


E algumas resenhas publicadas:

Blog As leituras de Mila
http://www.asleiturasdamila.com.br/2016/01/resenha-um-amor-de-aluguel.html?m=1 

Blog Literatura é Arte
http://livrosarteamor.blogspot.com.br/2016/02/resenha-do-livro-nacional-um-amor-de.html?showComment=1455284990476#c629216339649234809


Blog Leitura e Cia
http://www.leituraecia.com.br/2016/01/resenha-um-amor-de-aluguel-roberta-del.html

Blog Simone Pesci
Coluna Falando em :
http://simonepesci.blogspot.com.br/2016/02/falando-em-um-amor-de-aluguel-de.html?showComment=1455799091339#c1166766654069724534

Blog Eu e o meu vicio Chamado Leitura
http://www.euemeuviciochamadoleitura.com.br/2016/02/resenha-um-amor-de-aluguel-roberta-del_19.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=facebook

Agora, não perca mais tempo e venha desfrutar desse romance nacional.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Um Amor de Aluguel- o meu primeiro livro físico

O primeiro livro! o meu primeiro romance...nasceu! 

Bem vindos, ao Um Amor de Aluguel
Inspirado na musica Garoto de Aluguel do Zé Ramalho.
O meu primeiro romance físico ficou pronto!

Mais de  trezentas folhas que escrevi no Word. Dias e noites pensando, re-pensando, pesquisando e escutando o coração para dar vida aos personagens Vilma e Miguel que finalmente agora existem.
E como eles chegaram até a mim?
Primeiro chegou  ele que pouco queria falar e não chego só. Ele chegou ao som de uma musica que ao longo da minha vida  ouvir por diversas vezes, mas foi numa tarde de domingo que os dois foram contando suas histórias.
E quando eu não conseguia mais escutar, eles mandavam escutar a musica e mais musicas. E eu foi o que eu fiz.
A personagem Vilma era uma mulher forte e que um dia se vê perdidamente apaixonada. Um amor que nunca sentiu e jamais pensou que um dia viveria e que foi com esse sentimento que tomou grandes decisões na sua vida tão simples e como toda mudança vieram novas descobertas, segredos e antigas traições.
Foi com as mudanças que teve que fazer é que pode dar espaços a novos acontecimentos em sua vida.
E isso a fez descobrir que ainda podia amar e ser amiga das suas amigas, que jamais perderia o lugar no coração da sua filha.
Vilma não queria mais a solidão como sua velha conhecida...

O personagem Miguel na minha visão é um sobrevivente. O que sobreviveu a uma vida que foi-lhe roubada, o que viveu na loucura de uma e de varias mulheres, e que teve que fazer coisas para  se manter vivo.
Sem amigos, sem família, sem lar... Ele apenas tentava sobreviver ao mundo que foi apresentado e tirar um sarro de tudo isso. Usando a sedução e o sexo como caminhos para conseguir viver não só nessa cidade, mas no mundo.
Casos e casos, sem amor...
Até que um dia uma mulher aparece na sua vida e paga-lhe um drinque, claro ela não foi a primeira, mas foi a primeira que no qual ele realmente se interessou.

Amor a primeira vista?

Carência?

Oportunidade?

Apenas uma noite...

Ela queria...

E ele nunca teve...

Dois corações quebrados na cidade de São Paulo se cruzam com suas realidade e fantasias e vivem então uma história cheia de altos e baixos.
Um amor que eles sabiam que não poderia ser vivido... Será?
Não percam o meu mais novo livro pela editora Percurso

Um Amor de Aluguel 




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Musica do cantor Zé Ramalho

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Uma senhora varrendo a rua...

Era uma manhã fria e uma senhora vinha varrendo a rua. O vento não ajudava e papeis e pequenos entulhos voavam em desordem e se espalhavam, dificultando assim o trabalho da pobre mulher, de idade bem avançada.

Aquela senhora não estava varrendo a frente da sua casa, ou um jardim com qual simpatizava, aquele era o seu ganha pão.
Muitos passam por ela e nem mesmo a notava e não percebem o seu cansaço, não sabem da sua historia, não sabe como é o seu dia ou simplesmente sentem dó e seguem em frente.
Toda a manhã lá estava àquela mulher varrendo as ruas do quarteirão, assim que terminava voltava com as vassouras e um carrinho para o deposito municipal.

Depois de se despedir dos demais trabalhadores, voltava para a casa simples, terminava o almoço e passava roupa ou saia a procura de lugar mais barato para comprar os seus mantimentos e da sua família.
Era ruim quando o dinheiro não dava para quitar as contas, mas antes ficar uns três dias sem mistura, do que deixar a conta da luz ser cortada e pior ainda é a água pois a vizinha não deixaria encher os baldes para suprir a necessidade de uma casa.

A mulher era mãe, avó e tia.
Um dia foi filha, menina e amada.

É uma pena que a outra senhora, aquela do sobrado e do quintal grande e quem têm os filhos formados e um marido financeiramente bem, e os netos estudam em escolas particulares, era uma pena que essa mulher, achava que a outra que varria as ruas todas as manhãs debaixo de sol e de chuva, não tinha metas na vida.

Triste dias...E a sujeira nunca que tem o seu fim.



  

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Lá vem ...


Lá vem...

Lá vem ela
Descendo a ladeira  
Carregando a sua cesta, carregando o seu balaio
Com flores e ervas.

Toda manhã lá vem àquela mulher
Sem sandália no pé, arrastando a areia do chão e acenando com a mão e noutra segurando o seu balaio.

E é sempre assim
Toda manhã
Ela é vista descendo a ladeira

Ela vem
E ela vai

Sem tristeza e sem lamurias
Dona Maria era seu nome
Conhecida por muitos
Desconhecida para poucos

Toda manhã ela vem
Com um belo sorriso nos lábios
Feliz com o trabalho
Segurando o velho balaio.



(Essa poesia foi exposta na exposição "Um poema na árvore" em 2015 na cidade de Poá- SP)

(A foto foi tirada na caixa de imagens do google)

(cidade de Ouro Preto-MG) 

domingo, 7 de junho de 2015

Conto: O Casarão


Está vendida?
Sim, agora a tarde eu tenho um encontro com os novos proprietários
Aquela casa que foi da sua família, tem certeza Julia?
Absoluta, já está tudo resolvido os  papeis estão assinados e o deposito também foi feito, se você ficasse mais no escritório saberia.
Oras, já falamos sobre isso, as coisas mudaram, estou com outra, mas a nossa sociedade ainda está de pé- Leon parou por uns instantes, fitou sua ex- esposa, ainda não sabia se ainda a amava ou se tinha medo dela. A separação e um novo amor, o salvou, mas ainda tinha uma preocupação com sua ex- esposa e então perguntou:  Julia, ainda tem aqueles pesadelos?
Julia no mesmo instante parou o olhar, era como uma máscara fria tivesse tomado conta do rosto suave que Julia tinha, deixando os olhos verdes ainda mais escuros e tensos.
O tom de voz dela foi seco
Não Leon, não tenho mais.

Julia estava sem rumo, na sua nova vida de solteira, mas continuou com a sociedade com o ex- marido na imobiliária, que abriram logo quando se casaram, a uns dez anos atrás e essa era sua única tabua de salvação.Ter sido trocada por uma mulher,que a conheceram como uma cliente, não era fácil, por isso ela se jogou no trabalho, e quando recebeu de herança a velha casa que foi dos seus avós não pensou duas vezes, iria vende-la, mesmo com os últimos pedidos dos avós e dos pais era para que nunca desfizesse do tal casarão.
Mas e aqueles pesadelos que ela tinha desde a infância, o medo que sentia os fantasmas que ali ela viu por muitos e muitos anos.
Agora era uma oportunidade de se livrar daquela casa, e quem sabe um dia recuperar o amor de Leon, que tantas manhãs dizia ter dormido mal por conta dos pesadelos, dos gritos no meio da madrugada e a rápida mudanças de humor que ela tinha, coisas que na época quando namoravam ela não apresentava.

Julia seguia de carro pela estrada, o encontro seria às três da tarde e tentaria ser o mais breve possível, logo mais estaria de volta na cidade. Apesar de tudo ela tentava manter a calma, tinha que se mostrar forte para o Leon.Ela queria a sua vida de volta.
No carro ela escutava musicas para se distrair, quando começa tocar a sua musica favorita do grupo The Motels- Only the Loney  foi o momento que mais relaxou e até sorriu.
Na estrada ela viu a placa da cidade Dois Corações. 
Faltava pouco para chegar na casa.

O dia estava ensolarado, o carro de Julia entrou numa ruinha de pedras, cercada de árvores frondosas e ouvia o canto dos pássaros. Aquele lugar ainda era tão lindo, onde ela passou a maior parte da sua infância e adolescência. Até que aos dezenove anos deixou de ir naquela casa, nem mesmo no enterro do avô ela quis ir, isso foi há quinze anos.
O motivo ela nunca revelou.

Julia parou o carro em frente a casa, e ficou um tempo observando e era como se aquela velha casa  enxergasse a sua alma.
E dali o tempo começou a passar...

Julia já estava ansiosa e o casal não chegava  então começou a ligar para o número dos novos proprietários ,mas o seu celular dava fora de área.
Droga!
Então desceu do carro e continuou tentando completar a ligação e nada do sinal.
Olhou para o relógio de pulso, os ponteiros estavam parados. Há exatamente três horas.
E nada do novo casal aparecer.

Eles pareciam tão corretos!

Julia já não sabia quanto tempo estava ali, e pensou em partir.
Quando vozes de crianças nos fundos da casa chamaram a sua atenção e Julia logo pensou em pedir ajuda para algum vizinho, iria tentar ligar para o casal e marcar uma nova data, mas quando chegou nos fundos da casa, não tinha ninguém, nenhuma criança estava brincando ali, mas nada tinha mudado, o espaço verde dos fundos da casa, e a velha balança ainda estava lá, balançando com o agito do vento, ou sozinha.
Julia respirou fundo, já tinha sentido aquilo antes tudo era só uma má impressão, casa antiga, historias antigas de um casal que se amavam e tiveram dois filhos, e um dia a mulher foi embora uns diziam que tinha morrido na estrada, outros falaram que ela tinha fugido com outro homem ou que o marido a matou acidentalmente, eram tantas historias...

Mas o choro daquele homem, pedindo para ela voltar e o choro das crianças, perturbou a consciência de Julia todos esses anos.

Isso é lenda, Julia, apenas isso...meu avô queria apenas me impressionar...

A casa era de dois andares, portas e janelas de madeira, paredes de pedras e uma chaminé que estava desativado, na frente uma pequena varanda, o velho chão de madeira e uma placa de ferro escrito Bem Vindo, na entrada, que foi a avó de Julia que colocou quando compraram aquela casa. Que agora estava enferrujada.

Julia entrou no carro e deu partida, mas o carro não funcionou, o coração dela disparou de medo, tentou de novo o celular e nada, quando de repente, o céu escureceu, um vento gelado e forte passou por ela, agitando seus cabelos, os pássaros voaram para longe. Ela não sabia mais o que fazer, talvez ir andando até a estrada e pedir uma carona.Sim esse era o melhor jeito de fazer, para ir embora daquele lugar.
Ela pegou apenas a bolsa e foi para a saída a mesmo que passou com o carro, mas ela fez algo que nunca deveria ter feito, Julia olhou para trás, olhou para aquela casa, quando uma imagem a fez ficar imóvel, será que era aquilo mesmo que estava vendo, ou era uma miragem.
Ela viu a porta abrir, aquela casa chamava por ela.
Não vá Julia...Corra Julia...Leon está esperando...
Mas as pernas não a obedeceram e caminhou até próximo a pequena varada, parando no primeiro lance da escada, a porta continuava aberta mas ela não enxergava nada.quando de repente a porta fechou com violência, fazendo a acorda do transe, e então ela se virou e começou a andar, quando o de repente o som do carro voltou, tocando aquela musica que venho escutando na estrada.
E ao lado do carro, lá estava ele, aquele homem que a perseguia, que queria leva-la embora, que pedia para ela voltar...
Aquele homem, que sorria em sua direção, mas que tinha algo no olhar dele que a aterrorizava.
Julia ficou gelada, não era um sonho, agora era real, quando ouviu a voz dele dentro da sua mente.

“ Eu sabia que você voltaria para mim, minha lady’’

Julia sentiu o mundo girar e escurecer.

Quando acordou estava dentro da casa, deitada na cama, no quarto que foi seu um dia, o chão era de madeira, e a porta estava aberta.

Quem me trouxe aqui? O que está acontecendo?

Quando viu um vulto passar pelo corredor, era uma criança?
Ela olhou na janela ainda estava de dia, e quando voltou a olhar na porta, viu os três parados dentro do quarto, o homem e as duas crianças.
Julia ficou estática olhando para aquelas pessoas.

Quem são vocês?
As crianças que sorriam, ficaram confusas olhando para o homem que era alto, cabelos escuros, vestia um terno preto, camisa era cinza e a gravata preta, ele abaixou e disse algo pra elas, que tinham o mesmo tom de cor do cabelo dele, mas o rostinhos delas era tão familiar e elas  deixaram o quarto, com olhares tristes, ele voltou a olhar para ela e disse
Elas estão assustadas.
Eu também estou – disse Julia apressada. - Eu tenho que ir
Vai voltar pra ele? Já se esqueceu de mim, minha Lady.
Isso é um sonho e eu vou acordar logo.
Não!- disse o homem num tom ríspido Não é um sonho lady, essa é sua casa, sou sua família, porque não aceita!
Aquele homem estava irritado, mas ele não parecia um fantasma, ele parecia real, e sempre aquela conversa que eles eram a sua família.
Eu não conheço você, porque me persegue me deixa ir embora.
Ela gritou, e o homem apenas deu lhe as costas e partiu, deixando a porta aberta.

Julia chegou até a janela, viu as crianças brincando na balança que um dia ela brincou também, viu o homem se aproximar e falar com elas, que pareceram ficarem tristes .Aquele choro! A lamentação de novo dentro da sua cabeça.
Na infância, brincou com aquelas meninas, suas ‘’amigas imaginarias’’, aquele homem de terno aparecia sempre sorrindo para ela, sempre olhando de longe, até que o dia quando fez quinze anos, estava nos fundos da casa, sozinha, e ele chegou e disse:

” Falta pouco pra você ficar de vez aqui, para a nossa família ser completa’’

Julia gritou de medo, o homem partiu e todos acharam que ela estava maluca.
Depois disso, os pesadelos foram ficando piores, ele aparecia com mais frequência, brigava com ela, e quando ela conheceu o Leon, levou uma vez na casa mas aquele homem apareceu ficando no canto da sala, observando os dois, o tempo todo, e dali por diante seus pesadelos, foram ficando maiores e desesperador.

Julia sentiu cheiro de flores, quando chegou na sala.
O homem estava na cozinha com as meninas, parecia que iriam lanchar, elas estavam sorrindo, o coração de Julia apertou, e um pensamento a assustou, ela queria ficar na casa. E entrou na cozinha, ocupou o lugar que parecia ser seu, as meninas sorriram para Julia, não fizeram nenhuma pergunta, o homem veio e serviu chá, e sentou do seu lado, segurou a sua mão e disse
Aproveitou a viajem querida, espero que não demore como da outra vez.
Julia tomou um gole do chá e disse sorrindo : _Já foi tudo resolvido, não vou mais voltar, não vejo mais o meu lugar ali.
Os quatro sorriram felizes.
Que bom minha lady, as meninas e eu estávamos com saudades.

De longe se via a casa iluminada, a chaminé estava funcionando e risos de dois adultos e duas crianças eram ouvidos de longe.



Julia acorde... Julia.


ps. a Imagem foi tirada do Google.
O texto é um conto meu que está na coletânea 'Enquanto a noite durar" pela Ed. Aped

sábado, 18 de abril de 2015

Novo Conto : O Quadro



Depois de um bom  tempo sem escrever vou postar esse conto que escrevi já tem um ano,  e estava guardado até agora...


O Quadro

Apenas uma nota, apenas um toque de piano, e o som ecoaram pela sala inteira.
Que saudade
Essa era a definição para Ligia, que estava ali de volta.
A velha casa de campo da família, o lugar que mais amou e odiou por uma vida inteira, e que agora passaria ter novos donos, novos sonhos e novas lembranças.
Ligia agora era uma mulher madura, tinha conquistado tudo o que queria, tinha uma carreira estável e bem sucedida como arquiteta, morava num belo apartamento num bairro nobre, tinha amigos, frequentava bons lugares, convites nunca faltaram, suas conquistas amorosas não deixam nada a desejar para as estrelas da mídia.
Mas no fundo, tinha algo que a incomodava, e que ninguém nunca conseguiu entender quem sabe agora passando aquela casa adiante, ela não conseguiria também deixar outra Ligia para trás.

As pessoas não voltam.
A sua mãe não voltaria mais, sua infância não voltaria e nem mesmo os melhores momentos.
Mas tem um dia em especial, que Ligia nunca mais esqueceu.
Só que tinha que se esquecer de toda aquela bobagem, precisava olhar a casa, já que foi intimada por um e-mail da irmã que a comunicava que a casa do campo seria vendida, que sua parte seria depositada o mais rápido, e que se quisesse ver a casa e até buscar algum objeto para guardar, que o melhor dia seria na sexta-feira, pois no sábado o pai delas junto com nova esposa, passaria por lá  para fazer o mesmo.
Então naquela manhã assim que ligou para o escritório seguiu para o interior.
Era hora de matar os fantasmas.
Ligia começou a andar pela casa, que um dia foi o sonho da sua mãe, que assim que os filhos crescessem, ela e o marido se mudariam para lá, pois era calmo, bonito, tinha tudo o que ela queria e precisava.
Todo final de semana era uma festa, a festa da sua mãe, a festa da Rose.
Não tinha um final de semana que passavam só eles, a família, pois sempre tinha amigos, parentes, e assim foram muitos finais de semana, feriados, férias.
Mas Ligia odiava, parecia que ninguém nunca tinha um tempo só pra ela, talvez seja por esse motivo que o seu pai em um dia de fúria a chamou de egoísta.


E  continuou seguindo cômodo por cômodo até chegar no quarto dos pais, e ficou surpresa pelo que viu ali, que nada mais era o quadro.
O quadro da sua mãe ficou naquele quarto, todos aqueles anos e  foi o que ela mais pensou em buscar que era, o quadro.
O quadro que sua mãe pintou, para mostrar para todo mundo  que suas aulas de pintura não foram em vão, talvez ela quisesse fazer um auto-retrato, mas para a ironia dela todo acharam que eram apenas borrões.
As lembranças daquele dia que a dona Rose apresentou o quadro tão esperado por todos, talvez tenha sido, o ultimo dia feliz em família, antes de a doença ter chegado. Então pegou o quadro com cuidado, e levou para o carro.
Ligia já estava abrindo a porta do carro, quando se deparou com uma menina, que estava no balanço, o mesmo que ela brincou por muitas vezes. A primeira vontade era dar uma bronca. Como aquela menina entrou ali, mas logo passou esse pensamento.
— Oi
Disse a menina, que devia ter uns seis ou sete anos de idade, era sorridente, tinha cabelos castanhos um pouco ondulados, usava um vestidinho cor de rosa.
— Oi— respondeu Ligia — Como entrou aqui mocinha? Seus pais não vão gostar nada, então é melhor ir.
—O que tem ai em suas mãos? Porque está guardando no carro?
—É um quadro, não está vendo?
—Eu posso ver? —Perguntou a menina, com um olhar curioso, deixando a balança, e indo mais perto de Ligia  para pode  ver a imagem.
Ligia meio a contra gostou, mostrou o quadro, enquanto a menina olhava com curiosidade e meiguice, e então disse apontando para o quadro.
—AH! É uma família! Não é?  É sim uma família olha um pai, uma mãe e três crianças, mas quem é você aqui?
— Eu já mostrei o quadro, agora chega de perguntas. Eu preciso ir embora agora, e então me mostre a sua casa que eu a levarei.
—Espera, deixa-me ficar, posso conhecer a sua casa?
Mas a menina não esperou por resposta, logo saiu correndo para dentro da casa.
Ligia deixou o quadro em pé ali mesmo no chão encostado no carro e correu para pegar a menina atrevida.
—Menina, eu não tenho tempo para correr atrás de você, agora vamos embora, vamos a sua mãe deve estar preocupada!
Ligia falava alto pela casa, procurando a menina com o olhar, quando ouviu barulho vindo da cozinha.
A menina agora ocupava uma das cadeiras e comia uma maça.
—Onde pegou essa maça?
—Oras, lá no fundo, mas não peguei do chão não, quer uma mordida?
Ligia olhou da janela da cozinha e viu uma grande macieira que foi seus pais que plantaram, mas que nunca tinha crescido e agora era uma frondosa árvore de maças.
—Vão vender a casa não é?
—Como sabe disso?
—Eu sei de tudo, bom quase tudo.
A menina  tinha um olhar  forte e ao mesmo tempo delicado parecia e parecia ter entrado na cabeça da Ligia.
 “Se você pudesse voltar no tempo, o que mudaria? Vamos Ligia não tenha medo, sou sua amiga e eu posso levar você agora, não tenha medo, pegue na minha mão, vem Ligia”

A voz da garotinha estava dentro da cabeça da Ligia, que não teve forças a não ser tocar na mãozinha que era oferecida, e quando suas mãos se tocaram, tudo começou a girar. Ligia olhou para a porta de entrada, e viu seus pais entrando, e carregando um quadro.

“Eu sei que de tantos dias felizes, você sempre volta nesse, quando sua mãe  mostrou o quadro, ela queria ver uma boa reação de todos vocês, mas você não sorriu, e foi a primeira dizer que era feio, e que você não era aquela figura do quadro ao lado do seu pai.Ainda se sente culpada, e acha que sua mãe adoeceu por causa desse dia, não é Ligia?”
As lagrimas que Ligia deixou cair eram as resposta.

E foi se aproximando, olhando aquela cena, agora dessa vez como uma simples telespectadora.
Seus pais entraram chamando todos na sala, porque a mãe queria mostrar algo, Ligia chegou por ultimo, estava de mau humor, tinha brigado com sua melhor amiga porque agora namorava o menino que Ligia sempre gostou. Aquele momento da sua vida parecia que ninguém a entendia, ninguém era seu amigo, até mesmo a sua mãe.
—O que acharam? Vamos digam alguma coisa, sua mãe quer a opinião de vocês— O pai olhava para os filhos, um pouco aflito, com medo da sinceridade deles. Cada um disse uma coisa, ou perguntou o que era isso ou aquilo?
Mas o olhar da Rose fixou em Ligia
—E você querida, o que achou?

Ligia e a pequena menina olhavam a cena.

Eu respondi que estava horrível, que ela não tinha nada que está pintando, ou pintar a família, que ela não passava de uma idiota, foi isso que eu respondi, eu me tranquei no quarto, fiquei de castigo, durante a noite eu a ouvi chorando, eu tinha quinze anos, e não voltei mais aqui, e dentro de um ano ela faleceu.
A menina pegou a sua mão e sorriu
Não se culpe, ela já estava doente, mas não queria contar, por isso que o seu presente não mudará em nada, mas se quiser pode fazer algo diferente, como agora, é sua única chance Ligia.

Então Ligia começou a falar as palavras que ficaram presas nos últimos anos, e a Ligia de quinze anos começou a repetir tudo.
— Que lindo  minha mãe, a sua arte é incrível, a senhora poderia pintar mais, que tal um quadro para cada filho ou pintar o pai? O que acha mãe eu gostei muito!
Aquela frase realmente surgiu um grande efeito, pois Rose ficou emocionada e sorriu. E seu irmão disse num tom provocativo.
— Tem certeza Ligia? Você parece um borrão ali ó, veja...
Ligia olhou para sua mãe e disse
—Não importa se eu me pareço com um borrão, mas sou o borrão da minha mãe.
—Oh querida! — disse Rose que a abraçou.
Ligia mais nova a abraçou forte, e enquanto a Ligia mais velha sentia aquele abraço quente, com cheiro e carinho de mãe.
E tudo de repente mudou e passou rapidamente, como uma fita cassete sendo rebobinando diante dos olhos.
Nada mudaria o ciclo, ela não conseguiria evitar a perda, nem a saudade, nem mesmo a distância, pois todos cresceram, casaram, viajaram.
Mas Ligia se sentiu mais leve mais livre...
E acordou! E viu que estava deitada no sofá da casa de campo, e que continuava do jeito que estava quando entrou, e lembrou-se da menina, e saiu procurando pela casa, mas não tinha ninguém, estava só.
Antes de fechar a casa voltou para ver a árvore que ainda estava lá, carregada de maças.
Ligia sorriu, e agora estava na hora de partir.
Chegando no carro, arrumou melhor o quadro no banco de trás, com o maior cuidado, quando o seu celular tocou. Era o seu noivo, ela tinha  aceitado o pedido só tinha duas semanas.
E conversaram amigavelmente, Pedro estaria a sua espera em casa.
Ligia sentia uma felicidade imensa, que parecia não caber mais dentro dela.
Entrou no carro, e se preparava para partir, lembrou-se da menina, que era tão pequena e tão esperta, talvez fosse um anjo. Quem sabe não é.
Assim que passou pelo portão de madeira, voltou para trancá-lo, quando viu um casal se aproximando e que pararam na casa ao lado, pelo jeito pareciam estar chegando do mercado.
O casal a cumprimentou de longe, entre acenos e sorrisos, pois quem tinha amizade com os vizinhos e sabia o nome de todos era o seu pai.
Agora ela tinha que seguir a vida, levando uma recordação da sua mãe, a casa logo estaria em outras mãos, pois foi assim que a maioria quis, e agora ela voltaria para a sua vida, o seu futuro casamento, ao seu futuro.
Quando estava quase dobrando a rua, viu duas crianças na calçada correndo na direção do casal, eram pequenas e sorridentes, e uma delas chamou a sua atenção, uma das meninas era idêntica a do seu sonho, e a menina também a olhou e sorriu, e parando  e acenando  para Ligia, que quando olhou para elas pode ver a mãe chamando as meninas e foi nítido, a mulher chamou aquela menina que parecia a mesma do seu sonho, a que entrou na casa brincou no balanço e comeu uma maça, a mulher gritou um nome, esse nome era:

Rose!
E a menina correu para a mãe e entrou na casa.
Ligia mesmo em choque com aquela cena, continuou dirigindo, mesmo querendo voltar. Mas seguiu em frente. Seguiu a vida que á chamava, porque ela sabia que o tempo agora era um amigo precioso, que não voltava para novos quadros serem pintados agora é o futuro que vai ser colorido.



Fim

A imagem foi tirada do Google é apenas uma mera ilustração com o texto.

quarta-feira, 11 de março de 2015

O pescador e o Executivo

O céu é o mesmo por cima de nossas cabeças, mas, o que muda é forma de como o observamos.

Depois de um bom tempo, voltei com esse conto espero que gostem.

O olhar de um pescador e de um executivo.
O pescador acordou e olhou para o céu e o que viu foi um manto negro com estrelas. E antes de deixar a sua casa e a sua família, fez uma oração para que a pesca naquela madrugada fosse farta.

O executivo acordou em seu quarto confortável, numa cobertura luxuosa e como sempre foi ordenado para os empregados para que não abrissem as janelas antes das dez da manhã.

O pescador voltava com o seu barco que precisava de uma nova camada de tinta, com os cestos pela metade, o dia não tinha sido bom e ainda tinha que ser rápido para vender na feira de pescado e torcer para que o comprador dessa vez  dê um preço justo.

O executivo preso no trânsito em  seu carro blindado com  motorista, que nem sabia ao certo se o chamava  José ou João. E o hábito de ler o jornal é que nunca tinha mudado ainda mais em momentos de crises, na verdade o país vivia em crise!
E que logo dezembro chegue para assim viajar com a terceira esposa e os filhos universitários para  esquiarem na Europa.

O pescador ficou sem jeito quando viu os filhos chegarem da escola carregados seus livros, mas só que mais uma vez naquele mês não daria para comprar o tênis novo para o filho. E a esposa compreensiva, tinha pegado mais roupas para costurar.
A tarde, foi no bar onde ficavam os outros pescadores e trabalhadores e não quis pendurar mais nada no bar do seu Getúlio, pois o café de casa só iria durar mais dois ou três dias e caso não tivesse dinheiro iria pendurar mais meio quilo de pó.

O executivo almoçou ao lado de pessoas importantes da sua mesma linhagem e de interesses em comum, no final daquele almoço num lugar tão refinado, sem muito olhar em volta e pagou aquele almoço e o vinho mais caro do lugar, com grande satisfação.




O pescador ouviu uma conversa  no bar do seu Getúlio que um dos moradores da vila, tinha ido para cidade e, trabalhava numa fabrica ou algo assim e que ganhava bem fazendo horas extras e tinha carteira assinada e morava num prédio com sala e dois quarto. O pescador voltou para casa pensando naquela possibilidade, na segurança que poderia dar a sua família.

O executivo tentou uma manobra naquela tarde na bolsa de valores, aproveitando o palpite de um caro colega. Quase varou a noite para fechar aquele negocio. E quando chegou em casa, foi então que lembrou do jantar que sua esposa tinha marcado a mais de um mês. Agora ela dormia no quarto ao lado e na sala da cobertura tinha estilhaços de algumas taças pelo chão.

O pescador estava decidido iria para a cidade, trabalharia em tudo que aparecesse e quem sabe daqui um tempo, voltaria para o seu mar.

O executivo depois de uma manhã cheia e conturbada em casa e na empresa sentiu uma dor e acordou em uma cama de hospital.

O pescador junto com a família começava a construir bloco por bloco um muro alto e sem fim, dia a após dia, de sol a sol.

O tempo passou...

O executivo recebeu ordens médicas e foi relaxar perto do mar, mas já estava entediado com o balanço do mar, o céu azul e até das caminhadas na areia da praia que já não achava graça alguma. A saudade dos edifícios de concreto, que avistava da sua sala onde ficava horas e horas olhando da janela as luzes acesas, os carros que pareciam miniatura, os aviões sobrevoando o céu. Pra ele isso era vida.

O pescador cansado com o ritmo da cidade, do ar, da correria, o dinheiro que vem e que vai e todo o consumismo e as filas em tudo que precisava tanto na urgência como para a diversão, estava cansado e estava com saudades do mar, do céu e do velho barco.

Mas, os dois tinham que viver, manter o que tinham mesmo sendo tudo ou mesmo sendo o nada.
Presos e infelizes em seus mundos numa rotina impostas por outros homens.


Fim

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Há muito tempo atrás....

Uma vez no caminho para o curso me deparei com uma cena, algo que poderia ter passado despercebido aos meus olhos , afinal  estava atrasada e o sol da manhã ofuscavam os meus olhos, fora o mau humor em pleno sábado indo para o curso de gestão  administrativa  e fazer cálculos , mas enfim  vou te contar o que vi.
Quando  dobrei a rua e começaria  desce-la uma outra rua  , vi um senhor acompanhando o menino, não sei se iam   para alguma festinha escolar ou só iam a padaria até hoje não  sei.
Pela idade o homem poderia ser avó do menino.
Mas a cena me deixou curiosa o menino que devia ter uns seis ou sete anos estava todo contente e não dava a minima para as pessoas que olhavam ele correndo e parava para esperar o homem, na verdade as pessoas olhavam era a sua capa. E menino que parecia todo orgulhoso com aquele tecido velho que agora era a sua capa  nem notou.
Afinal ele era uma criança com algo tão simples.
Na verdade a capa  era um tecido em algodão , um tecido bem judiado,  amarrado ao pescoço do menino que  cobria as costas do pequeno que quando corria o pano balançava com o vento. Ele era um algum super-herói.
O menino e o homem pareciam ser pessoas bem humildes, e o homem parecia feliz por deixar a imaginação daquela criança fluir mesmo estando na rua, e nas proximidades do centro da cidade.
E foi assim, continuei a descer a rua até o meu destino e também nunca mais esqueci essa cena, nunca mais esqueci a alegria daquele menininho descendo a rua com a sua capa velha e seus poderes imaginários...
Isso aconteceu no ano de 2005 na Rua Alberto Rossi.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O Voo

O voo


Ela não sabia que podia
Voar
Ela não nasceu para
Voar
Nunca disseram que poderia um dia 
Voar
Coração e  mente nunca comunicaram-se tanto como agora, pelo simples motivo que agora querem
Voar
As malas estão prontas. As passagens já compradas. Lagrimas já secaram. E a incerteza logo ali a frente. Era a sua hora de ...
Voar.


Depois quem sabe um dia, ela voltará...




 E Você já foi impedindo de voar antes?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Novo romance no Wattpad ....

A vingança!
Não percam!

Dan Sartori volta para Campos para tentar destruir a ex-mulher do irmão, só que não imaginou que iria se apaixonar pela irmã dela...